Devido aos factores históricos, Macau tem mantido uma relação ampla e estreita com os Países de Língua Portuguesa espalhados pelos 4 continentes, com uma população superior a 200 milhões de habitantes. Macau não tem dívida externa, nem restrições cambiais, desfruta do estatuto de porto franco e território aduaneiro autónomo, com regime tributário simples e de carga fiscal reduzida, sendo de 12% a taxa mais elevada do imposto complementar de rendimentos. A estrutura administrativa da função pública e o sistema jurídico da Região Administrativa Especial de Macau provêm de Portugal, sendo semelhantes com os sistemas administrativos e jurídicos de outros países lusófonos, o que ajuda a China e os Países de língua Portuguesa a inteirar-se sobre os sistemas de mercado de cada parte interveniente. Além do chinês, o português é também a língua oficial de Macau, podendo as empresas celebrar os contratos de cooperação nessas duas línguas.Aliado ao facto de Macau possuir muitos talentos bilingues em chinês e português, bem como comunidade portuguesa e novos imigrantes de Portugal, disponíveis para prestar serviços profissionais de mediação, designadamente nas áreas de tradução, contabilidade e jurídica, para as negociações comerciais e projectos de cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Nesta conformidade, Macau tem desempenhado ao longo dos anos as suas vantagens peculiares de Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (adiante designado por Plataforma Sino-Lusófona).

Desde a 1ª edição em 2003, a  Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, em Macau (adiante designado por Fórum de Macau), já foi realizada sucessivamente 5 edições em Macau e em cada uma das edições é aprovado o Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial. No ano 2004 foi estabelecido em Macau o Secretariado Permanente do Fórum de Macau, que passou a ser responsável pela execução e implementação das decisões tomadas na Conferência Ministerial.

Em Outubro de 2016, foi realizada a 5.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa de Macau, onde foram assinados conjuntamente, pelos países participantes do Fórum de Macau, o “Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial (2017-2019)” e outros documentos relevantes. Na cerimónia de abertura, o Governo Central anunciou 18 novas medidas, das quais visam apoiar Macau na construção da “Plataforma Sino-Lusófona”. O Governo da RAEM  implementou activamente as medidas relevantes e promoveu o desenvolvimento de várias acções após a conferência, incluíndo a constituição da  “Federação Empresarial da China e dos Países de Língua Portuguesa” em Macau, o estabelecimento da Sede do Fundo da Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a implementação ordenada através dos meios online e offline da construção dos “Três Centros” (nomeadamente, o Centro de Distribuição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa, o Centro de Convenções e Exposições para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e o Centro de Serviços Comerciais para as PME´s da China e dos Países de Língua Portuguesa).

Além disso, o Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (adiante designado por Complexo) já entrou em funcionamento e  serve de recinto permanente para a realização das Conferências Ministeriais do Fórum de Macau. O Complexo está dotado de serviços empresariais, apoio a negociações económicas e comerciais, exposição de produtos, exposições culturais e intercâmbio de informações, oferecendo serviços convenientes para a cooperação amigável entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Em Dezembro de 2019, Sua Exa. o Presidente da República Popular da China, Dr. Xi Jinping, aquando da sua visita ao “Complexo”, referiu  que a construção da plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa constituiu uma importante medida para Macau fazer pleno uso das suas próprias vantagens e servir as necessidades do País .

Em Abril de 2022,  a Reunião Extraordinária Ministerial do Fórum para a Cooperação Económia e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau) foi realizada em forma online e in loco em Pequim e Macau.  O evento realizou-se no “Complexo”, tendo como tema principal “Um Mundo sem Pandemia, Um Desenvolvimento Comum” onde foi abordado o desempenho do papel de Macau e o impulso para  a recuperação da economia.  Sua Exa. o primeiro-ministro do Conselho de Estado, Dr. Li Keqiang proferiu o discurso de abertura com destaque para as seguintes três sugestões,nomeadamente a manutenção de um ambiente estável e pacífico, a promoção do desenvolvimento e prosperidade, e consolidação da solidariedade e da cooperação no sentido de superar o mais cedo possível a pandemia, a adesão à abertura e cooperação com vista a impulsionar a recuperação económica. Após a reunião, os ministros dos países membros assinaram a “declaração conjunta”. Além disso, os ministros dos países membros declararam formalmente a aceittação da Guiné Equatiorial como o décimo país participante do Fórum Macau.

O «14.º Plano Quinquenal» nacional consagra claramente a ampliação da função de Macau enquanto Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. O Governo da RAEM publicou no “Segundo Plano Quinquenal” foi indicado que Macau terá que aprofundar a construção da Plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa, expandindo gradualmente as funções da Plataforma Sino-lusófona, desenvolvendo activamente o intercâmbio e a cooperação nas áreas económicas e comericias, financeira e cultural. Com o forte apoio do Governo Central, Macau irá consolidar o seu papel como Plataforma de Serviços, acelerar a sua integração no padrão de desenvolvimento de «dupla circulação» do País, reforçar o seu papel de ponte e plataforma para promover o intercâmbio e a cooperação entre o Interior da China, Macau e os países de língua portuguesa.

Anexo: Dados económicos dos Países de Língua Portuguesa em 2021